quinta-feira, 14 de maio de 2009

Do lado de dentro


O inconsciente é mais sábio do que a consciência, como já disse Freud. Ele desperta o ser humano aos seus desejos mais profundos de forma direta e exclusiva, sem levar em conta padrões de conduta ou valores externos. Provoca sensações sublimes, manifestando na face vibrações intensas que consistem no substrato da essência humana. É como uma tempestade solar que altera o sistema de magnetismo da Terra. Até porque, pra que essas vibrações existam, é preciso que haja uma força de intensidade parecida com o sol.

E qual é o seu sol?

Uma música, um gosto, um livro, um lugar, uma lembrança? Não. Eu diria que isto são as estrelas. O sol a que me refiro é uma pessoa que traga luz e calor sob forma de sentimentos, que partem, em primeiro plano, do inconsciente. Não existe harmonia mais perfeita que o encontro de duas inconsciências conscientes de suas vontades. Um estado de equilíbrio que cria um universo paralelo, moldado em razão deste encontro.

É preciso viver inconsciente. Embora isso represente descobrir algumas verdades indesejadas e reprimidas, já que é impossível mentir para si mesmo. No entanto, é necessário viver inconsciente porque é ele que manifesta o amor.

E qual é o seu amor?
Deixa a inconsciência dizer...

sábado, 11 de abril de 2009

Música ilustrada

As fotos sempre criativas, mas nem sempre eficientes. Algumas de difícil entendimento, outras apenas para divertir. Aqui uma seleção de fotos feitas para divulgação de trabalho de bandas e artistas do nosso querido meio musical.
The Beatles

The Jimmi Hendrix Experience

Sex Pistols


Red Hot Chili Pepper


Nirvana


Modest Mouse


Marcelo Camelo

Lightspeed Champion


Kings Of Leon (quando pequenos)


Kaiser Chiefs
Johnny Cash


Elton John
Chico Science & Nação Zumbi

Caetano Veloso

Dusty Springfield

Blink - 182
Faltaram várias fotos, eu sei e não me importo. Espero que gostem destas postadas!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Solidão


Constantemente sinto uma grande necessidade de estar sozinha. Mesmo que seja uma solidão utópica, disfarçada por uma fechadura e quatro paredes. Desde que me sinta de fato sozinha, estou bem. Muitas pessoas procuram fugir dessa condição natural humana. Forjam encontros, relacionamentos e sentimentos meramente superficiais. Precisam sentir um contato constante com seu exterior e esquecem que a verdadeira essência que as faz ser quem são está dentro de si.
Estar sozinho é diferente de sentir-se sozinho.
Quando não há uma conexão verdadeira entre mim e o universo exterior é impossível evitar a sensação de solidão. Embora existam várias pessoas ao meu redor, várias cores, sons, gostos... É inevitável. Mesmo que esteja com outra pessoa, alguém que realmente amo, se não houver sintonia entre nossos universos, é solidão. Tudo que consigo ver, sentir ou ouvir vem de minha mente e minhas próprias projeções. No entanto, está é uma forma de solidão involuntária, conseqüência da falta de harmonia interior.
A solidão que me refiro é pura. Quase como um silêncio reprimido, que traduz em sua obscuridade tudo aquilo que pulsa vibrante dentro de mim. Todos os sonhos, músicas, lugares, pessoas e sentimentos que somente eu sou capaz de conter. Meu segredo, minha história, minha vida guardada de maneira imutável e indestrutível. E tudo isso é fruto do silêncio, da solidão que me faz sentir mais perto de mim mesma.
Não é a toa que faço planos, tenho idéias e sonhos quando deitada sobre o travesseiro macio, com aroma de amaciante. Neste momento, com as pálpebras fechadas, é possível olhar para dentro de mim mesma. Pensar nos fracassos e lamentar por eles, mesmo que isso, muitas vezes, custe-me algumas horas sem conseguir dormir. Às vezes é preciso passar um tempo consigo mesmo. Não há como oscilar em outros universos se, primeiramente, não conhecermos o nosso.
A solidão é tão necessária quanto ter as pessoas que amamos por perto. Pois se é sentido-se sozinho que conseguimos voar alto e sonhar com leveza, com elas somos capazes de tornar esses sonhos reais.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Novo ano, velho mundo

A virada do ano é uma prova concreta da não existência do tempo. Os relógios, marcadores físicos do tempo, são ajustados conforme ordenam seus devidos fusos, nos lugares em que o dia nasce mais cedo. E como pode o dia chegar mais cedo ali ou acolá? O sol é de todos, de todos os mundos, de todos os povos, brilhando na mesma intensidade e ao mesmo instante, por mais que a noite o esconda brevemente.
Pessoas comemoram a passagem de um ano para o outro como uma vitória, um momento pleno e sublime que transpasse o sentimento mais profundo de gratidão a si mesmas e ao mundo que as cerca. Do ponto de vista geográfico é o cumprimento de mais uma volta da Terra ao redor do sol, do ponto de vista humano uma fase que se encerra carregada de esperança, do cronológico o fim de mais um ano preenchido por dias, meses ou semanas. Mas e aos olhos profundos da natureza, o que uma fração de segundos quer dizer? Nada.
Pois bem, passeando ontem ao redor de um parque, pensei: “Essa é a primeira vez no ano em que vejo essas árvores, esse lago, essas nuvens...” Bobagem! O lago continua no mesmo lugar do segundo antecessor, as árvores permanecem verdes, grandiosas, donas do mundo. As nuvens pairam ligeiras e macias, como em todas as outras vezes que as observei. A passagem de ano não apagou nenhuma estrela, não desmoronou montanha alguma e nem sequer trouxe de volta algum amor. Não aliviou a culpa, não corrigiu os erros, não apagou as lembranças.
O tamanho do momento que vivo sou eu quem determina, não o relógio. E vivo um momento intenso chamado vida. Tão intenso quanto o brilho das estrelas, ofuscado pelos fogos de artifício. Brilho que independe de tempo ou esperança. Brilho contínuo. Um espetáculo que se abre e se encerra todas as noites, mas que só aqueles dotados de amor são capazes de apreciar.
A vida nos oferece uma passagem todos os dias que começa dentro de nós mesmos. A renovação que se solidifica através de nossos sonhos, longe de qualquer tempo. Longe de números, longe da exatidão que o tempo pretende impor. Somos vivos demais para sermos exatos. Somos eternos e não há contagem regressiva que seja capaz de por fim a isso.

10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1...
Continuo no mesmo lugar.

A cada dia que passa, cada raiar de sol, não é menos tempo que me resta, e sim mais vida que me envolve. Mais vida em minha eternidade.Tempo não existe, o que existe é pura e simplesmente vida.

domingo, 12 de outubro de 2008

Torcer é preciso

Estranho mesmo esse tal futebol, os seus caminhos, suas histórias e a sua ampla ligação com a vida do torcedor. A ligação é tanta, que podemos confundir ambos. Ora é futebol, ora é vida. Somos nós, torcedores, os dois.

Quando perdemos uma final, algo é tirado do coração, como a vez que a namorada foi embora. O time joga melhor e perde, assim como fases em que damos o nosso melhor, fazemos de tudo e não alcançamos o nosso objetivo.

Entretanto, todos nós temos uma libertadores, um mundial em mente. Uma carreira profissional em sonho. Temos, nós, sofredores e bons viventes, uma vida, um esporte, o futebol. Somos o clube que torcemos e vivemos o futebol que amamos.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Tempo


Tempo feito de vidas

Cada vida um momento

O tempo fazendo o mundo

E o mundo gastando o tempo


Tempo que gera vida

Tempo que não tem fim

Coisas se perdem no tempo

Vidas dissolvem-se assim


Tempo que nos trouxe aqui

Tempo que irá nos buscar

O tempo irá destruir

E também irá acalmar


Em sua constante inconstância

Do tempo em que o tempo não era marcado

Do sol que transforma em lua

O tempo que corre calado


Tempo aquém, tempo além

Tempo tão curto pra mar

Em tempos de tempestade

Tempo tão longo a quem deve esperar


Tempo tão amplo em sua complexidade

Tempo tão simples, fechado ou aberto

Sem meio, início ou final

Tempo distante, próximo e incerto


O Tempo que vai nos privar do mundo

Sem respeito aos compromissos

É o tempo que manda na vida

Somos meros submissos


O tempo é apenas o tempo

Não há nada que possa explicar

Agora estamos no tempo

E para sempre vamos ficar

domingo, 7 de setembro de 2008

Desconhecimento

De repente bateu uma saudade boa, vontade de lembrar. Uma sensação que me permite sonhar todos os dias, dignifica sentimentos menos ou mais profundos, apenas por poder sentir assim, tão puro... Um estado, assim como a parte sólida ou líquida da água. Talvez seja tão simples quanto transformar água em gelo mesmo, ou quem sabe tão difícil quanto entender a fundo o comportamento dessas moléculas. E é assim que me sinto... Tal como a água, o que sinto sempre se renova, fortalece, às vezes vem como tempestade, às vezes como uma garoa boa pra molhar as plantas. Isso sim é fácil de entender, porque basta simplesmente fechar os olhos e sentir. Não sei ao certo de onde veio toda a energia que impulsiona esse mecanismo, não sei de onde veio o hidrogênio ou porque as folhas são verdes. Não sei porque precisamos ficar longe de quem gostamos, não sei sequer porque vivo. Mas vivo! Eu não sei... Eis aqui meu complemento a Sócrates: só sei que nada sei... e que te amo!